Vício em estados emocionais: quando o cérebro se acostuma ao sofrimento

Quando falamos em vício, é comum pensarmos em substâncias químicas, como álcool ou drogas. No entanto, a neurociência e a psicologia contemporânea mostram que o cérebro humano também pode desenvolver uma dependência de estados emocionais. Não porque eles sejam agradáveis, mas porque se tornam familiares e previsíveis.

Muitas pessoas vivem durante anos em estresse constante, ansiedade crônica, hipervigilância ou tristeza persistente. Com o tempo, esses estados deixam de ser apenas reações emocionais e passam a se tornar padrões neurobiológicos habituais.

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O cérebro não busca felicidade, busca previsibilidade

Do ponto de vista neurobiológico, o cérebro tem como função principal a sobrevivência. Para isso, ele prioriza o que é previsível. Mesmo estados emocionais dolorosos, quando repetidos, tornam-se conhecidos — e o conhecido é interpretado como mais seguro do que o desconhecido.

Estados como estresse e ansiedade ativam o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), responsável pela liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. Essas substâncias se ligam a receptores espalhados pelo cérebro e por todo o corpo. Quando essa ativação acontece repetidamente, os neurônios se adaptam a esse nível químico.

O corpo aprende a funcionar sob tensão.

Receptores, corpo e habituação emocional

Cada emoção está associada a um conjunto de reações químicas e fisiológicas. Quando essas reações se repetem por longos períodos, ocorre um processo chamado habituação neurobiológica.

Os receptores celulares ajustam sua sensibilidade, e as redes neurais responsáveis por aquele estado emocional se fortalecem. Em termos simples:
quanto mais um estado emocional é vivido, mais “treinado” o cérebro fica para reproduzi-lo.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas se sentem estranhas, vazias ou desorientadas quando começam a sair de um estado crônico de ansiedade ou estresse. O corpo não reconhece imediatamente a calma como algo familiar.

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O cérebro tenta voltar ao estado anterior

Na Psicologia Cognitivo-Comportamental (TCC), esse fenômeno é compreendido como a interação entre pensamentos automáticos, emoções e comportamentos aprendidos.

Quando o organismo sai de um padrão emocional conhecido, o cérebro pode reagir tentando restaurar o estado anterior. Ele faz isso por meio de:

  • Pensamentos automáticos negativos
  • Sensações corporais desconfortáveis
  • Interpretações distorcidas (“algo está errado comigo”)

Não se trata de sabotagem consciente, mas de uma tentativa biológica de retornar ao equilíbrio que o sistema conhece.

“Senti um vazio”: a abstinência emocional

Há algum tempo, ouvi uma pessoa dizer que, ao iniciar o uso de antidepressivos, passou a se sentir vazia, sem emoções. Esse relato é comum e muitas vezes mal interpretado.

Em muitos casos, não se trata de ausência de sentimentos, mas de abstinência emocional. O corpo sente falta do estado de alerta, da ansiedade constante ou do estresse que por anos acompanhou aquela experiência de vida.

Quando o cérebro deixa de receber a química à qual estava habituado, surge uma sensação de estranhamento. A calma pode parecer sem cor. O silêncio interno pode ser interpretado como vazio.

Isso não significa que o tratamento esteja errado. Significa que o organismo está aprendendo um novo estado.

Neuroplasticidade: o cérebro pode mudar, mas precisa de tempo

A boa notícia é que o cérebro é plástico. A neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de reorganizar suas conexões a partir de novas experiências.

No entanto, mudanças profundas não acontecem de forma imediata. Para que novos estados emocionais se consolidem, é necessário:

  • Repetição de experiências reguladoras
  • Exposição gradual a novos padrões emocionais
  • Tempo para que novas conexões se fortaleçam

A ausência do antigo padrão pode gerar desconforto antes que o novo se torne familiar.

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O que podemos aprender com isso?

Talvez uma das maiores lições seja compreender que nem todo desconforto é sinal de erro. Às vezes, ele é apenas um sinal de transição.

Mudar hábitos emocionais não é apenas mudar pensamentos. É ensinar o corpo e o cérebro a habitar outro estado fisiológico e emocional. E isso, muitas vezes, envolve atravessar um período de abstinência do que já não faz bem — mas era conhecido.

Cuidar da saúde emocional é um processo de reaprendizagem. E todo reaprendizado exige paciência, acolhimento e acompanhamento adequado.


Referências científicas (para aprofundamento)

  • Damasio, A. (2018). A estranha ordem das coisas. Companhia das Letras.
  • McEwen, B. S. (2007). Physiology and neurobiology of stress and adaptation. Physiological Reviews.
  • Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Artmed.
  • Siegel, D. J. (2012). The Developing Mind. Guilford Press.
  • Sapolsky, R. M. (2004). Why Zebras Don’t Get Ulcers. Holt Paperbacks.

Um abraço,
Suzanne

@suzannelealpsi

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Publicado por Suzanne Leal

Psicóloga. Site: suzannelealpsi.com Instagram: @suzannelealpsi

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