O Que Devoradores de Estrelas Nos Faz Pensar Sobre a Solidão Humana

Tem filmes que entretêm.

E tem filmes que encostam em partes da nossa existência que normalmente tentamos não olhar.

Devoradores de Estrelas me fez pensar sobre a solidão humana de um jeito desconfortavelmente real. Não aquela solidão de estar sem pessoas por perto, mas a de carregar pesos emocionais que parecem impossíveis de compartilhar. A solidão de continuar funcionando enquanto algo dentro de nós luta silenciosamente para não desmoronar.

Existe um momento da vida em que muitas pessoas se sentem à deriva. Não necessariamente porque tudo está dando errado, mas porque a distância entre aquilo que mostram ao mundo e aquilo que vivem internamente se torna cada vez maior. Por fora, a rotina continua. O trabalho continua. As responsabilidades continuam. As pessoas seguem esperando que estejamos presentes, produtivos e disponíveis. Mas, por dentro, estamos tentando sobreviver a perguntas que ainda não têm resposta.

Talvez uma das experiências mais dolorosas da vida adulta seja justamente essa: perceber que o mundo não para quando estamos sofrendo. O planeta continua girando. As contas continuam chegando. As pessoas continuam seguindo seus caminhos. E nós seguimos tentando encontrar forças para atravessar dias que, às vezes, parecem emocionalmente pesados demais.

Embora o filme fale sobre sobrevivência em um sentido literal, emocionalmente ele parece falar sobre algo ainda mais profundo: o que mantém um ser humano vivo quando a esperança se torna escassa. O que nos faz continuar quando não existem garantias, quando não sabemos se nossos esforços serão suficientes e quando o futuro parece um território completamente desconhecido.

Durante a vida, muitas pessoas chegam a uma fase em que já não estão buscando felicidade. Estão apenas tentando suportar. Tentando atravessar a semana. Tentando levantar da cama. Tentando cumprir suas obrigações enquanto lidam com perdas, decepções, medos ou um cansaço emocional que ninguém consegue enxergar.

Como psicóloga, achei impossível assistir sem pensar em quantas pessoas vivem exatamente assim. Pessoas que cuidam dos filhos, trabalham, estudam, ajudam amigos, mantêm relacionamentos e aparentam estar bem. Pessoas que seguem funcionando porque acreditam que precisam funcionar. Mas que, internamente, sentem que estão se apagando aos poucos.

O filme também me fez refletir sobre a impressionante capacidade humana de continuar. O ser humano suporta perdas que imaginava impossíveis. Sobrevive a despedidas, fracassos, mudanças e períodos de profunda solidão. E, ainda assim, em algum lugar dentro de si, continua tentando.

Tentamos amar novamente depois de sermos feridos.

Tentamos confiar novamente depois das decepções.

Tentamos construir sentido mesmo quando a vida parece ter desmontado tudo aquilo em que acreditávamos.

Existe algo profundamente humano nessa insistência.

Talvez porque não sobrevivamos apenas de resultados. Sobrevivemos também de significado.

E foi justamente aí que encontrei uma das reflexões mais bonitas do filme. Talvez a salvação humana nunca tenha sido apenas uma questão de força. Talvez seja, acima de tudo, uma questão de vínculo. A possibilidade de ser visto. De ser compreendido. De perceber que alguém reconhece nossa existência para além dos papéis que desempenhamos.

Porque, no fundo, grande parte do sofrimento humano não nasce apenas da dor. Nasce da sensação de precisar carregá-la sozinho.

No final, fiquei pensando que talvez todos nós estejamos fazendo a mesma coisa. Talvez cada ser humano esteja apenas tentando encontrar razões para continuar acendendo pequenas luzes dentro de si. Mesmo depois das perdas. Mesmo depois das decepções. Mesmo quando o universo parece vasto, frio e indiferente.

E talvez exista uma forma silenciosa de coragem nisso.

Continuar.

Não porque temos certeza.

Mas porque, apesar de tudo, ainda existe uma parte de nós que acredita que vale a pena seguir em frente.

Um abraço,
Suzanne

Publicado por Suzanne Leal

Psicóloga. Site: suzannelealpsi.com Instagram: @suzannelealpsi

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