Quantas Vezes Você Precisou se Abandonar Para Permanecer?

Young woman in rain jacket looking somber while leaning on a window in a rainy urban street

Mulheres, quantas vezes vocês suprimiram um sentimento por medo? Medo de desagradar, de serem julgadas, de serem vistas como difíceis, exageradas ou insuficientes. Quantas vezes sentiram vontade de dizer que estavam machucadas, cansadas, decepcionadas ou insatisfeitas, mas escolheram o silêncio porque acreditaram que expressar a verdade poderia custar um relacionamento, uma amizade ou a aprovação de alguém importante? Muitas mulheres aprendem muito cedo que algumas emoções são mais aceitáveis do que outras. Aprendem que precisam ser compreensivas, pacientes, acolhedoras e fortes. E, pouco a pouco, começam a esconder partes de si mesmas para preservar vínculos, mesmo que isso tenha um custo emocional elevado.

Quantas vezes vocês abandonaram a si mesmas para caberem em algum lugar? Talvez tenham mudado sua forma de agir para serem aceitas. Talvez tenham diminuído seus sonhos para não incomodar. Talvez tenham tolerado situações que feriam seus valores porque o medo da rejeição parecia maior do que o desconforto de permanecer. Existe uma dor silenciosa que surge quando passamos muito tempo tentando ser quem os outros precisam que sejamos e deixamos de perguntar quem nós realmente somos. O problema é que a adaptação constante pode criar uma desconexão profunda com a própria identidade. Chega um momento em que a mulher já não sabe mais se determinada escolha reflete seu verdadeiro desejo ou apenas aquilo que aprendeu que deveria fazer para ser amada.

E quantas vezes vocês silenciaram porque não conseguiram ir embora? Nem sempre permanecemos porque queremos. Muitas vezes permanecemos porque temos medo. Medo da solidão, do julgamento, das mudanças, do desconhecido. Outras vezes permanecemos porque ainda existe esperança de que algo mude. Porque existe amor. Porque existe uma história construída. Porque existe uma parte de nós que acredita que, se tentar um pouco mais, suportar um pouco mais ou esperar um pouco mais, finalmente será vista, valorizada e compreendida. Mas enquanto essa espera se prolonga, algumas mulheres acabam se afastando cada vez mais de si mesmas.

Como psicóloga, observo que uma das maiores dores emocionais não é apenas ser ferida pelos outros. É perceber que, para sobreviver em determinadas relações ou contextos, foi necessário abandonar necessidades, limites, sentimentos e partes importantes da própria identidade. É por isso que o processo de cura não envolve apenas compreender o que aconteceu. Envolve também reconstruir a conexão consigo mesma. Envolve voltar a ouvir a própria voz depois de anos escutando apenas as expectativas dos outros.

Um exercício simples que pode ajudar nesse processo chama-se “Voltando Para Mim”. Reserve alguns minutos em um lugar tranquilo e pegue uma folha de papel. Escreva três perguntas: “O que eu tenho sentido, mas não tenho permitido que apareça?”, “O que eu gostaria de fazer ou dizer se não tivesse medo?” e “Que parte de mim estou sentindo falta?”. Responda com honestidade, sem tentar encontrar respostas bonitas ou corretas. Depois releia o que escreveu e observe se existe algum padrão. Muitas vezes, aquilo que mais precisamos recuperar não é a confiança nos outros, mas a confiança em nós mesmas. A confiança de que nossos sentimentos merecem ser ouvidos, de que nossas necessidades importam e de que nossa identidade não precisa ser sacrificada para que possamos pertencer.

Se você sente que perdeu a conexão consigo mesma ao longo da vida, saiba que essa reconexão pode ser construída aos poucos. Ela começa quando você se permite olhar para dentro com curiosidade, acolhimento e honestidade. E talvez a pergunta mais importante não seja quem você foi para os outros durante todos esses anos, mas quem você deseja voltar a ser para si mesma.

Para aprofundar esse processo de autoconhecimento e reconexão emocional, conheça o Caderno de Reconexão Emocional para Mulheres:

Um abraço,
Suzanne

Publicado por Suzanne Leal

Psicóloga. Site: suzannelealpsi.com Instagram: @suzannelealpsi

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