Existe uma pergunta que muitas mulheres evitam fazer a si mesmas porque, no fundo, já sabem a resposta: “O que aconteceu com aqueles sonhos que um dia foram importantes para mim?”
Ao longo da vida, é comum que alguns sonhos precisem ser adaptados. A vida muda, as circunstâncias mudam e nós também mudamos. Mas existe uma diferença entre adaptar um sonho e abandoná-lo completamente. Muitas mulheres passam tantos anos atendendo às necessidades dos outros, sobrevivendo às demandas da rotina e tentando dar conta de todas as responsabilidades que, sem perceber, começam a deixar a si mesmas para depois. Primeiro adiam um plano por alguns meses. Depois por alguns anos. Até que, em determinado momento, já nem conseguem lembrar quando foi a última vez que pensaram seriamente naquilo que desejavam para a própria vida.
O autoabandono raramente acontece de uma vez. Ele costuma ser silencioso. Acontece quando você se convence de que seus desejos podem esperar indefinidamente. Quando acredita que primeiro precisa resolver a vida de todo mundo para só então cuidar da sua. Quando começa a tratar seus sonhos como algo menos importante do que todas as outras prioridades. E quanto mais tempo isso acontece, mais distante você se sente de si mesma.
Muitas mulheres carregam dentro de si um sonho que continua chamando silenciosamente. Às vezes é uma formação que gostariam de fazer. Um projeto que nunca saiu do papel. Um negócio que desejavam criar. Uma mudança de carreira. Um livro que sonhavam escrever. Uma viagem. Um estilo de vida diferente. Ou simplesmente uma forma mais autêntica de existir. Não importa qual seja o sonho. O que importa é que ele continua ali, aparecendo de tempos em tempos, lembrando que existe uma parte de você que ainda deseja crescer em determinada direção.
O problema é que, com o passar dos anos, muitas pessoas deixam de perseguir seus sonhos não porque deixaram de desejá-los, mas porque passaram a acreditar que já é tarde demais. Começam a olhar para a própria idade, para as oportunidades perdidas ou para os caminhos que não seguiram e concluem que a chance passou. Mas a verdade é que, em muitos casos, o maior obstáculo não é a falta de tempo. É a crença de que não merecem mais tentar.
Como psicóloga, observo que existe um sofrimento profundo quando vivemos distantes daquilo que faz sentido para nós. Nem sempre esse sofrimento aparece como tristeza evidente. Às vezes ele surge como desmotivação, vazio, irritação constante ou uma sensação difícil de explicar de que a vida está sendo vivida apenas no automático. Porque existe uma parte de nós que sabe quando estamos construindo uma vida alinhada aos nossos valores e quando estamos apenas sobrevivendo.
Isso não significa que todos os sonhos serão realizados exatamente da forma como imaginamos. Mas existe uma diferença enorme entre não alcançar um sonho depois de tentar e desistir dele sem sequer se permitir explorar a possibilidade. Muitas vezes o arrependimento não nasce das escolhas que fizemos. Nasce das escolhas que nunca tivemos coragem de fazer.
Um exercício simples pode ajudá-la a se reconectar com aquilo que talvez tenha sido deixado para trás. Pegue uma folha e escreva a seguinte pergunta: “O que eu faria se não tivesse medo de fracassar?”. Escreva tudo o que vier à mente. Depois pergunte: “Qual é o menor passo que posso dar nos próximos sete dias em direção a isso?”. Não pense na meta final. Pense apenas no próximo passo. Talvez seja pesquisar um curso, abrir um arquivo em branco, conversar com alguém, separar alguns minutos da semana ou retomar um projeto esquecido. Grandes mudanças raramente começam com grandes ações. Elas costumam começar com pequenas decisões repetidas ao longo do tempo.
Nunca é tarde para perseguir um sonho que continua chamando você silenciosamente. Talvez o sonho tenha mudado de forma. Talvez você tenha mudado também. Mas enquanto existir dentro de você um desejo genuíno de crescer, aprender, criar ou construir algo significativo, ainda existe um caminho possível.
Você não precisa continuar abandonando a si mesma para cumprir expectativas que nem sequer escolheu. Ainda há tempo para se escutar. Ainda há tempo para se reconectar com quem você é. Ainda há tempo para construir uma vida que inclua não apenas aquilo que os outros precisam de você, mas também aquilo que faz seu coração se sentir vivo.
Se você sente que se afastou de si mesma ao longo dos anos e deseja retomar essa conexão, conheça o Caderno de Reconexão Emocional para Mulheres, um recurso desenvolvido para ajudar mulheres a compreenderem suas emoções, resgatarem sua identidade e reconstruírem uma relação mais autêntica consigo mesmas.
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Um abraço,
Suzanne

