O fim de ano costuma despertar sensações que nem sempre cabem em palavras.
Enquanto algumas pessoas celebram, outras silenciam. Algumas fazem planos, outras ainda tentam entender o que sobreviveram. Há quem viva um misto disso tudo: esperança, exaustão, medo, um desejo tímido de recomeço e uma vontade profunda de apenas descansar de si mesma.
Não existe um jeito certo de terminar o ano — existe o seu jeito.
E ele é digno, legítimo e merece ser acolhido.
Quando a solidão se intensifica
A solidão no fim de ano não é apenas estar só.
Às vezes é estar cercada de pessoas e ainda assim se sentir invisível.
Outras vezes é perceber que algumas relações mudaram, outras se romperam, e que aquilo que antes preenchia agora parece ecoar.
Se isso tem acontecido com você, respire com cuidado.
A solidão não é um defeito; é um sinal.
Ela pode estar pedindo descanso, verdade, limites, pertencimento — ou até mesmo uma reconciliação com quem você é hoje.
Atividade breve — Escuta da Solidão
Pegue um papel e responda:
- Em quais momentos deste ano eu mais senti solidão?
- O que eu precisava e não consegui pedir?
- Que verdade sobre mim mesma essa solidão tentou me mostrar?
Sem julgamentos. Apenas presença.
Quando a tristeza pesa mais do que o calendário
Para muitas pessoas, dezembro chega acompanhado de lembranças difíceis, perdas, sintomas depressivos mais intensos ou um cansaço emocional difícil de explicar.
A tristeza, quando aparece neste período, costuma carregar histórias: aquilo que terminou, aquilo que não se realizou, aquilo que foi pesado demais para seguir sozinha(o).
É importante dizer:
sentir tristeza não significa que você falhou.
Significa que você viveu, sentiu, tentou — e está aqui.
Atividade breve — O que o meu corpo conta sobre o meu ano
Escreva:
- O que mais drenou minha energia este ano?
- O que meu corpo tentou sinalizar e eu ignorei?
- Quem eu precisei ser para continuar funcionando?
Essas respostas não exigem solução imediata.
Elas servem para clarear o que foi vivido com honestidade emocional.
Renovação sem pressão
O discurso do “novo ano, nova vida” pode ser cruel para quem está cansada(o). Renovar não é reconstruir tudo.
É permitir pequenas frestas de mudança, devagar, no ritmo que faz sentido.
Renovar também não precisa ser alegre.
Às vezes é apenas respirar diferente, olhar para si com mais gentileza, permitir que uma rotina se torne menos dura.
Atividade breve — O que quero levar comigo
Liste três coisas que você quer carregar para o próximo ano:
- Uma habilidade emocional que descobriu
- Uma relação que te faz bem
- Um limite que aprendeu a colocar
E depois escreva:
o que não cabe mais em mim?
Só isso já é renovação.
Mudança: aquilo que começa antes dentro do que fora
Mudança verdadeira raramente começa no dia 1º.
Ela começa em silêncio — quando você percebe que merece algo diferente, quando identifica um padrão repetitivo, quando sente que precisa cuidar melhor de si.
Atividade breve — Primeiro passo possível
Desenhe três pontos:
- Onde estou agora
- O que desejo transformar
- Qual é o menor passo possível que posso dar nas próximas semanas
Não é o plano perfeito.
É o passo possível — e é assim que mudanças reais se iniciam.
Transformação como continuidade, não como ruptura
Transformar não é tornar-se outra pessoa.
É se aproximar de quem você sempre foi, mas agora com mais consciência, mais delicadeza e menos autoviolência.
Transformação é a soma de pequenas escolhas repetidas, muitas vezes invisíveis aos olhos dos outros, mas profundamente sentidas por quem as vive.
E talvez a reflexão mais importante deste fim de ano seja:
que tipo de relação quero construir comigo daqui pra frente?
Para aprofundar seus processos internos neste fim de ano
Preparei um material gratuito, sensível e ético, com atividades práticas, roteiros de escrita terapêutica e reflexões profundas sobre solidão, depressão, renovação e transformação.
Você pode baixar aqui:
👉 Encerramentos e Recomeços — Atividades para Reflexões de Fim de Ano
Um abraço,
Suzanne

