Quando Crescer Dói: Compreendendo as Angústias e Medos da Adolescência

A adolescência — aquele limiar entre infância e vida adulta — é um tempo de grandes descobertas, mas também de intensas angústias e medos que muitas vezes ficam guardados, silenciosos. Se você está nessa fase ou convive com um adolescente, vale a pausa para compreender o que está acontecendo por dentro. Vamos juntos refletir com acolhimento e sensibilidade.


O peso da mudança

O corpo se transforma, os amigos mudam, os interesses se deslocam, a escola se torna mais exigente. Tudo ao mesmo tempo. É natural sentir-se deslocado, inseguro, com medo de “não dar conta”. Essa insegurança pode se manifestar como ansiedade, irritação, tristeza ou mesmo um desejo de isolamento. Em meio a tudo isso, o adolescente tenta descobrir quem é, quem quer ser, e ao mesmo tempo sente o peso das expectativas — próprias e alheias.

A voz interior que critica

Muitas vezes, surge uma voz interna rígida dizendo “você não é bom o bastante”, “ninguém vai entender”, “e se eu fracassar?”. Essa autocrítica pode corroer a autoestima e silenciar os sonhos. A adolescência é um terreno fértil para esse tipo de vulnerabilidade porque as mudanças externas ativam vulnerabilidades internas. Reconhecer essa voz crítica como parte do processo (e não como condenação final) pode permitir um movimento de compaixão consigo mesmo.

O medo da rejeição e de não pertencer

Pertencer ao grupo, ser aceito pelos colegas, encaixar-se em alguma “categoria” social — essas questões são muito relevantes nessa fase. O medo de ser excluído, de não ser “suficiente” ou de não se encaixar pode gerar ansiedade, ficar “na defensiva”, evitar falar ou se expor. A verdade é: todo adolescente lida com esse medo, mesmo que às vezes pareça que “só eu” sinto isso. Saber que não estamos sozinhos já é um alívio.

O futuro que assusta

“E agora? O que eu vou fazer da vida?” Essa pergunta pode aparecer com força na adolescência. Pode vir acompanhada de procrastinação, paralisia, ou mesmo comparações com outros que “já estão adiantados”. O futuro pode parecer um abismo ou uma corrida. É importante lembrar que o futuro não é algo fixo — é construído, passo a passo, e que está bem permitir erros, mudanças, desacelerar.

A intensidade emocional

As emoções na adolescência podem parecer mais “amplificadas”: alegria intensa, tristeza profunda, raiva que se acende fácil. Isso pode assustar quem está vivendo e quem convive. Nessas horas, é só preciso lembrar: sentir muito não é errado. A intensidade emocional é um sinal de que existe profundidade, que há vida pulsando. O que ajuda é aprender a dar nome aos sentimentos, acolhê-los, expressá-los de maneira saudável e buscar apoio quando for demais.

A busca por sentido e identidade

Quem sou eu? Como quero ser visto? O que realmente importa para mim? Essas perguntas que antes ficavam sussurradas começam a gritar. A adolescência é um convite para explorar identidade, valores, estilo, pertencimento — e isso pode gerar angústia porque não há “mapa pronto”. O medo de errar ou de “errar o eu” pode paralisar. Mas errar também faz parte de descobrir. E changes in identidade são normais e saudáveis.

Uma luz no fim da angústia

O caminho para além desses medos existe. Ele passa por:

  • Reconhecer que se sente medo, angústia, insegurança — e isso não é fraqueza, é experiência humana.
  • Expressar o que sente — com alguém de confiança ou por meio de escrita, arte, conversa.
  • Desenvolver autocompaixão — como você falaria para um amigo que está passando por isso? Use a mesma voz consigo.
  • Pequenas ações — rotinas regulares, pausas, exercício físico leve, sono adequado ajudam a regular o emocional.
  • Conversas abertas — em casa, na escola ou com profissionais; adolescentes precisam de espaços seguros para falar e serem ouvidos.
  • Aceitar o processo — a identidade não é algo que se “resolvesse” de uma vez, mas que se vive, se percebe, se ajusta.

Convidando uma ferramenta de suporte

Se você está acompanhando essa jornada da adolescência — seja como adolescente, pai, mãe, educador ou profissional — uma ferramenta que pode trazer suporte é o material da Suzanne Leal intitulado Baralho Entre o Medo e a Coragem para Adolescentes. Trata-se de um recurso em PDF com 50 cartas que convidam à reflexão emocional e ao fortalecimento interno frente às incertezas dessa fase.
Você pode verificar mais detalhes sobre o material aqui: Baralho Entre o Medo e a Coragem para Adolescentes

Publicado por Suzanne Leal

Psicóloga. Site: suzannelealpsi.com Instagram: @suzannelealpsi

Deixe um comentário