Quando nossa história “não escrita” chama

Quantas vezes pensamos: “E se eu tivesse tomado outro caminho?”, “E se aquela escolha fosse diferente?”, “E se eu tivesse dito algo mais?” Essas perguntas ecoam em muitos corações — não como peso ou culpa, mas como convites suaves para olhar para dentro com curiosidade e compaixão.

O “Roteiro de Vida Não Escrita” é justamente isso: um guia terapêutico que propõe imaginar versões não vividas da nossa história — cenas alternativas, roteiros paralelos — não para viver de arrependimento, mas para acolher possibilidades sombreadas, resgatar desejos silenciados e fortalecer a autorresponsabilidade emocional.

Por que revisitar “o que não foi escrito” pode curar

  1. Desvendar o invisível
    Muitas histórias que moram em nós nunca foram contadas — porque foram caladas, esquecidas ou descartadas. Ao permitir que essas narrativas emergem (mesmo que simbolicamente), abrimos espaço para integrá-las à nossa identidade, diminuindo a sensação de fragmentação interna.
  2. Expandir a noção de possibilidade
    Ao imaginar um “roteiro paralelo”, não estamos dizendo que devemos viver nele — mas que dentro de nós existem múltiplas capacidades, potenciais, caminhos não trilhados. Essa expansão mental desafia crenças fixas do tipo “isso é impossível”, “já era”, “não posso mais”.
  3. Transformar falsas certezas em escolhas conscientes
    Muitas das nossas decisões foram feitas sob pressão, medo ou ausência de alternativas. Revisitar uma cena — reescrevê-la, ressignificá-la — permite olhar para os porquês e para os impactos das escolhas. Isso traz mais consciência para o presente e mais liberdade para novas decisões.
  4. Cura simbólica e emocional
    A escrita imaginada ou guiada funciona como uma catarse branda: o que ficou “não escrito” pode encontrar voz no simbólico. E isso não corrige o passado — mas ajuda a aliviar seu peso e a resignificar sua presença no presente.
  5. Fortalecimento da identidade e autoestima
    Ser a roteirista, a diretora da própria vida — ao menos em imaginação terapêutica — é um ato de empoderamento. Recupera-se protagonismo, reforça-se que somos autoras (em parte) de nossa narrativa, ainda que nem todos os capítulos sejam compostos por escolha.

Um convite: experimente com delicadeza (e suporte)

Esse tipo de exercício pode despertar emoções fortes — saudade, dor, arrependimento, frustrações, mas também gratidão, reconciliação, amor silencioso por partes esquecidas. Por isso, recomendo:

  • Faça em um lugar tranquilo, reservado, sem pressa.
  • Tenha à mão papel, caneta, talvez música suave ou incenso, algo que ajude no ambiente interno.
  • Deixe fluir o que vier — sem censura, sem busca por “respostas certas”.
  • Se sentir que as emoções ficam muito intensas, pare e retome somente depois, com apoio.
  • Se possível, compartilhe com alguém de confiança ou terapeuta o que emergiu — não é preciso enfrentar sozinho.

Material terapêutico para baixar

Para lhe apoiar nessa jornada interna com estrutura e orientação, deixo o “Roteiro de Vida Não Escrita — Atividade Terapêutica para Mulheres”. Trata-se de um guia gentil que propõe você como roteirista e protagonista da própria vida — revisitando cenas, imaginando roteiros paralelos e encontrando insights para o presente.

Você pode baixar o material completo em PDF clicando aqui:
📥 Roteiro de Vida Não Escrita (PDF)

Dentro dele você encontrará:

  • Exercício “Reescrevendo a Cena”: escolha uma lembrança que “encosta” em você, reimagine o que teria sido diferente e explore o desdobrar dessa nova cena.
  • Espaço para escrita terapêutica: registrar a cena escolhida, a cena reescrita, o capítulo alternativo, o significado e uma ação simbólica ou concreta no presente.
  • Reflexão sobre benefícios: ressignificação de arrependimentos, ativação de desejos esquecidos, fortalecimento do protagonismo.
  • Proposta simbólica de “corte de cena” — gesto de transição para o novo capítulo da vida.

Um abraço,
Suzanne

Publicado por Suzanne Leal

Psicóloga. Site: suzannelealpsi.com Instagram: @suzannelealpsi

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